Das Máscaras

Já ouviu, alguma vez ao menos, que 'a vida é um jogo de interesses'? Pois bem. O que você acha disso?

Não há como fugir do uso das 'máscaras' na nossa vida. Se você consegue, de verdade, me ensine a fazê-lo. Não podemos nos comportar da mesma maneira - com a mesma espontaneidade que nos comportamos com nossos amigos - na presença de um entrevistador que pode nos convocar para um emprego. Naturalmente, esse tipo de comportamento é absolutamente condizente com as diretrizes estabelecidas pela conduta que foi criada pelo próprio homem. Para o bem dos nossos próprios interesses, adotamos uma determinada postura que - acreditamos - nos ajudará a atingir o objetivo final. Perfeito. Mas e quando o uso dessas máscaras começam a fazer mal a outras pessoas? Nós temos a nossa; única e essencial. É a nossa identidade: ela mostra ao mundo quem nós somos, do que gostamos, o que fazemos, etc. Deixar de ser quem somos, abdicar da nossa essência, com certeza traz implicações desagradáveis. Tomara que você não conheça uma pessoa falsa, sem personalidade. Enfim, num mundo onde tudo é padronizado, é importante assumir quem você é, do que você gosta e o que você faz! Fight the system. Estereótipos (agora mais conhecidos como modinhas) são máscaras que se convencionam usar. E a sociedade mundial é diversa e vasta demais pra que haja espaço pra esse tipo de coisa. O brasileiro, por exemplo, é moreno, gosta de praia e futebol. Alguém me recomenda um país pra morar? Algo mais no estilo... Rússia.

Selva de concreto

De repente você que está lendo mora numa cidade grande. De repente não. Um ou outro tem seus prós e seus contras. O Rio de Janeiro é uma cidade grande em vários aspectos: não territorialmente, como é o Amazonas, mas culturalmente, historicamente, economicamente. Não, eu não passei a ser patrocinado pelo Governo do Estado; é só conhecimento de causa mesmo. Conheço os dois extremos: a vida agitada de quem trabalha em escritórios e bancos, e a vida mais calma, bucólica, presente na cidade pequena (alguém conhece Pirapetinga?). Claro, essas situações não são regras, por mais que seja inegável o estereótipo empregado a cada uma. Stress, correria, competitividade, e até mesmo solidão podem ser constantes na vida de quem vive num grande centro urbano. Situações em que nos metemos que nos fazem desejar deixar tudo pra trás e ir morar numa casa no campo. Quem não gosta de um lugar onde seja possível esvaziar a mente e só aproveitar a vida?
O desafio de morar em grandes centros fica maior conforme aumenta o número de habitantes, já que, dadas as circunstâncias em que se coloca cada um nesses lugares, cresce naturalmente a demanda pessoal por uma quantidade sempre maior de respeito, consideração, "cabeça fria", e por aí vai. Se não fosse essa natural coordenação de todo mundo, essa autogestão, isso aqui já teria ido por água abaixo. O que não quer dizer que não esteja indo aos poucos. Níveis de pobreza assustadores, poluição, favelização crescente (Sem a mínima infra-estrutura necessária. Você deve ter ouvido falar sobre o estrago que a última chuva torrencial causou na região metropolitana do Rio), crime organizado, polícia corrupta... Isso realmente me faz querer sair daqui e ir morar "no meio do mato". Só por algum tempo. Já me acostumei com o som das balas perdidas.

"Welcome to the jungle
We take it day by day
If you want it you're gonna bleed
But it's the price you pay!"

Da Indiferença (ou A descaracterização do Ser Humano)

humanidade
(latim humanitas, -atis)
s. f.
1. O conjunto dos homens.
2. Natureza humana.
3. Género humano.
4. Bondade.
5. Benevolência, compaixão.

"Para o mundo que eu quero descer". Aonde vamos chegar com tudo isso? Correndo o risco de parecer piegas, tenho que citar o que de certa forma todos já sabem (e, caso não alguém não saiba, que seja banido da vida em sociedade): violência - dos mais variados tipos -, destruição, abandono, desrespeito são constantes na vida de todo mundo, de uma forma ou de outra. Telejornais todos os dias anunciando catástrofes, homicídios, chacinas. E os espectadores vêem diariamente esse desfile de aberrações em seus televisores na hora do jantar! Por quê? Porque já virou rotina. Uma pessoa perdeu a vida num assalto. Antes ele do que eu. É só um. Tem muita gente no mundo... Eu não tenho referências históricas exatas acerca do momento em que a vida parou de ter importância dessa maneira. A palavra sofrimento só faz sentido quando sentimos na pele o seu significado. Esse assunto é, de certo modo, análogo aos que eu tratei nas duas outras postagens. Superexposição. Massificação. Falta de senso crítico. Se cada um apenas guardasse isso pra si, não haveria tanto barulho... mas isso se espalha como um câncer. Eu, infelizmente, sei bem o que é indiferença. Conheço pessoas espiritualmente descaracterizadas. Na verdade uma delas me colocou no mundo. Se eu escrevo é porque eu tenho esperança que um dia as pessoas se tornem melhores, que a gente consiga viver em um mundo mais humano. Humanidade. Fica aí a lição de casa. Quiçá a lição da sua vida. Aprenda, leve a sério o significado dessa palavra. Tente ser alguém mais humano a cada dia que passa.

“Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
Acreditar que tudo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.”

Índios – Legião Urbana

Desculpem se porventura o post de hoje ficou subjetivo demais. Todo mundo tem seus problemas, certo?

Do abuso (ou A extinção do senso crítico)

abuso
s. m.
Mau uso; uso excessivo; desmando, desregramento, excesso.

Sim. Os termos são correlatos, e eu explico por quê. O fato é que cada vez mais abusos vêm sendo tolerados em nossa sociedade, de forma geral. E é inerente à aceitação de um fato a sua prévia passagem por um crivo pessoal, no qual cada um julga, de acordo com suas concepções, a aceitabilidade do que é analisado. Em linhas gerais, temos acompanhado o gradativo aumento da incidência daquilo que antes era considerado abusivo, imoral, inconveniente - enfim, chame como quiser - em nosso dia-a-dia. Eu honestamente não consigo enxergar justificativa lógica pra esse processo, que não atinge o comportamento de classe social, raça, cor ou credo específicos. A maior atenção prestada ao engraçado, ao idiota - mesmo que estes se consubstanciem em invasão de privacidade, ou atentado à moral de outrém - é muito maior que a percepção e até mesmo à consideração do que se julga sério, formal, intelectual. Como esse texto. Alguém que apenas dá valor ao engraçado e ao satírico nem ao menos olharia para o título dessa postagem. Preocupante... essa é a tendência que está sendo passada à frente com o tempo. Hoje em dia o destaque não é dado a quem pensa, mas a quem diverte e entretém. E o propósito se multiplica à medida que cresce o aumento da busca pessoal por aceitabilidade (que implica reconhecimento e sucesso). O que eu quero dizer com isso é que não importa mais o que você fala. "Panis et circenses!", como diriam os romanos. A cultura da divulgação em massa injeta nos desprovidos de senso crítico a inclinação ao reconhecimento, custe o que custar. O que mais vemos por aí são fenômenos-relâmpago, que surgem com algo capaz de entreter as mentes mais vazias por alguns instantes. Até aí tudo bem, cada um tem o direito de ter suas preferências. Mas o erro está na massificação desse tipo de comunicação. E todos sabemos que, para quem está no poder, é inconveniente o fato de que os demais indivíduos sejam capazes de raciocinar criticamente. E aí entram os créus e rebolations da vida. Copa do mundo vem aí. Ótimo. Para os corruptos. Todas as atenções voltadas para Dunga e sua seleção. Isso, deixem-se ser levados pela mídia e dêem crédito a ela. Deixem de raciocinar. Depois não venham reclamar do Brasil.

O mundo anda tão complicado

É o tipo de coisa que todo mundo deveria saber. Mas todo ser humano na face da Terra tem os seus compromissos, sua vida, suas ambições... Não sobra tempo pra pensar em quão complicado está o mundo. E mesmo se o fizéssemos, de que adiantaria? Que diferença isso faria? Aliás, queremos fazer alguma diferença aqui? Pra mim, nossa vida é valiosa demais pra que passemos por aqui sem deixar uma marca. É o que dizem: "Plante uma árvore, tenha filhos e escreva um livro". Essas são as famosas três formas que o ser humano tem para se imortalizar. A vida tem sido "empacotada" de uns tempos pra cá. Em outras palavras, "metas de vida". Que são traçadas há muito. E o que fazer quando se atingir nessa meta? Aproveitar as conquistas. O que a maioria quer, no final das contas, é um bom salário, conforto, paz de espírito e entretenimento. Certo? Mas quantas vezes fazemos escolhas, certas ou erradas? Quantas e quantas vezes chegamos à conclusão que aquilo que queríamos não era bem aquilo que queríamos? Nossos erros sempre nos ensinam uma lição... Mas, e aí, eu vou viver pra mim mesmo ou para o mundo? Imortalize-se. O imortal sempre deixa uma contribuição para o mundo; contribuição que igualmente não morre. Nosso propósito aqui é (ou deveria ser) global. Ao invés de pensar só em sua vida, pense que você é um "cidadão do mundo", como diria Sócrates. Plante uma árvore, leia um livro, escreva um livro, escreva um blog! O mundo realmente está complicado, e é triste perceber que tem gente que tá aqui só de passagem. Gente que só olha pro próprio umbigo e que acha inútil toda essa conversa sobre mundo, sobre 'como estão as coisas'. Infelizmente, não falta gente assim, totalmente alienada, por aqui. A imbecilização do mundo tem criado verdadeiros zumbis; seres humanos em linha de produção. Abre o olho. "Complicado" é um eufemismo. O mundo é quase impossível; sua realidade não chega perto do que podemos imaginar. Não que eu seja moralista, todos têm sua noção acerca do que é correto e do que é errado. Enfim, como eu disse no início, nos perdemos e nos distraímos no meio de nossas próprias vidas, e acabamos nos esquecendo de que há um propósito maior para a nossa passagem por aqui. Que isso não seja esquecido. Por menor que seja o que você faça, já é alguma coisa.